segunda-feira, 10 de junho de 2024
CORINTO: UMA IGREJA FERVOROSA E MUITO ESPIRITUAL
sábado, 25 de maio de 2024
UM EXEMPLO PARA NÃO SER SEGUIDO

Um Exemplo Para Não Ser Seguido
Um Exemplo Para Não Ser Seguido
Texto Básico: 1 Coríntios 1.10-13
Leitura:“Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e um só parecer. Meus irmãos, fui informado por alguns da casa de Cloe de que há divisões entre vocês. Com isto quero dizer que algum de vocês afirma: “Eu sou de Paulo; ou “eu sou de Apolo”; ou “Eu sou de Pedro”; ou ainda “Eu sou de Cristo”. Acaso Cristo está dividido?…”. 1 Coríntios 1.10-13
Na igreja de Corinto havia partidarismo e divisões. Estes problemas surgiam basicamente por falta dos indivíduos, daquela comunidade, não terem captado o verdadeiro significado da unidade do Espírito. Será que o mesmo ocorre hoje? Geralmente nós só pensamos em nós mesmos; em nossos projetos pessoais. Escolhemos apenas aqueles parceiros de nossa “panelinha”. São as nossas atitudes que revelam se somos ou não cidadãos do Reino de Deus e membros da família de Deus.
Temos que reconhecer que a igreja de Corinto era muito fervorosa, mas tinha muitos problemas. O partidarismo era apenas um deles. O negócio era tão sério que havia quatro grupos rivais:
- Havia o grupo dos fundadores: “eu sou de Paulo”.
- Havia o grupo dos intelectuais: “eu sou de Apolo”.
- Havia também o grupo dos tradicionais: “eu sou de Pedro”.
- E, por último, havia um grupo dos exclusivistas: “eu sou de Cristo”.
Hoje não é diferente! Temos grupos que contendem entre si. Conheço gente que evita dialogar com pessoas que ele julga pertencer a determinado grupo. Aliás, nem querem ser vistos na companhia de alguns deles, para não se comprometer.
O fato é que posturas facciosas, partidárias e divisórias sempre foram danosas à saúde da igreja na história, são um grave pecado. A Bíblia chama estes males de “obras da carne” ou imaturidade espiritual. São coisas de “meninos”, que tem que acabar! Quando nos lançamos em disputas carnais, procurando manter nossas posições egoístas, dividimos o Corpo de Cristo:
“Está Cristo dividido?” (1 Co 1.13).
Nossos comportamentos, partidários na igreja, são uma afronta ao mundo e um péssimo testemunho de Cristianismo! Todavia, convém ressaltar que “Paulo exortou os crentes em Corinto a buscarem a unidade entre si, não a uniformidade. A uniformidade ocorre quando as pessoas fazem um esforço consciente para ter aparência, roupa, linguagem, pensamentos parecidos, mas unidade envolve harmonia. Ela existe quando as pessoas compartilham um mesmo propósito e usam os seus diversos talentos para alcançar tal propósito”.
Qual é o nosso desafio? Sair urgentemente de nossas trincheiras partidárias, pois esta postura obstrui os relacionamentos, dissolve os laços fraternos e denigre a imagem da Igreja como família de Deus. Isso demonstra que não entendemos o que é unidade. E, assim, desobedecemos a Palavra de Deus que ordena que preservemos a unidade. O individualismo é nosso principal problema, porque coloca o homem no centro. Esta visão da vida nos faz achar que somos mais importantes do que outros. No fundo, é o individualismo o principal gerador de divisão entre os homens, pois nos impõe os próprios interesses. Assim, não conseguimos enxergar-nos como membros uns dos outros e como parceiros de uma causa maior: o Reino de Deus. O pecado é egoísta. Ele nos impede de ver o que há de bom no outro.
“No Cristianismo ocidental, o individualismo predomina na era moderna e tem o efeito lamentável de tornar a vida cristã antes de tudo uma transação entre a pessoa e Deus, geralmente sem o devido realce ao relacionamento do crente com outros crentes e à responsabilidade dele para com a comunidade da fé que é a igreja”.
I. Ninguém é uma ilha
Nossas igrejas estão cheias de “pessoas-ilhas”, que atribuem a si mesmas posições e privilégios especiais, como se dele todos precisassem e ele não dependesse de ninguém. Se tais pessoas procurassem descobrir as boas coisas existentes naqueles a quem eles desprezam, certamente se espantariam ao constatar que Deus os agraciou também com qualidades específicas e dons para o serviço cristão. De fato somos diferentes no que diz respeito às características individuais, as são elas que tornam nosso serviço especial dentro do conjunto do serviço coletivo.
Num corpo há diferentes membros ativos, mas nem por isso deixa de ser uma unidade. Só na diversidade vemos a importância de cada membro no Corpo. Todos são relevantes para á vida do organismo, mesmo aqueles que soa menores. Portanto, não podemos nos depreciar ou nos sentirmos indignos por não termos um “cargo” ou “posição” que achamos ser importante dentro do Corpo de Cristo, ou seja: a Igreja.
Por causa do desígnio de Deus que deseja que o Corpo de Cristo funcione de forma interdependente, ninguém pode dizer que é mais importante do que o outro no que Deus está fazendo, pois é Ele quem faz. Da mesma forma não podemos dizer que não precisamos desta ou daquela pessoa na igreja, pois cada membro é valioso para o seu funcionamento pleno.
A Igreja como corpo nos ensina a servir com o objetivo de colaborar uns com os outros. Deus estabeleceu o Corpo de Cristo desta maneira para que não haja desavenças dentro da igreja em torno de personalidades, funções ou competências entre os seus membros. O fato de saber que existe uma interdependência, cujo fim é “tecer” nossas vidas com os demais, devemos nos motivar a servir mutuamente.
Só quando dependemos uns dos outros em cada área da vida e ministério é que teremos a liberdade de dar e receber segundo a vontade de Deus. Nenhuma parte do Corpo, portanto, pode manter o crescimento sem a inter-relação com as demais. Da mesma forma, não poderemos nos desenvolver separados de Cristo e sem comunhão com Seu Corpo.
Quando entendermos que Deus nos tem designado para funcionar dentro deste harmonioso ambiente de “serviço” mútuo, se somos mais capazes a servir com os dons concedidos pelo Espírito Santo. Deus nos tem equipado de uma maneira especial para que sirvamos e nos edifiquemos mutuamente no Corpo, dando assim glória ao Pai Eterno.
O contexto de Efésios 4.11 afirma que todo obreiro é um dom concedido à Igreja por Jesus Cristo, com a responsabilidade de continuar a missão começada por Ele na Terra. Portanto, quem serve na casa de Deus, independente de sua função ou posição, deve se conscientizar de que é um dom de Cristo à Igreja.
Aplicação Pessoal
– De que forma a sua igreja local se assemelha a igreja de Corinto?
– Quanto à unidade de sua igreja, em que aspecto você gostaria que Deus intervisse trazendo mudanças no momento?
– Até que ponto essas mudanças depende de você?
Autor do Estudo: Josadak Lima
Retirado de UNIDADE – a missão conciliadora da igreja. Publicado com permissão.

quinta-feira, 23 de maio de 2024
AS MULHERES E O APÓSTOLO PAULO
PAULO E AS MULHERES
A questão de Paulo e as mulheres deve ser compreendida a partir do problema que se apresentou naquela igreja, naquela época. A partir daí, temos que ver o que Paulo orientou para sanar este problema e só então tentar extrair os princípios bíblicos gerais. 1. O problema: Paulo estava enviando Timóteo a Éfeso. Ele havia […]
A questão de Paulo e as mulheres deve ser compreendida a partir do problema que se apresentou naquela igreja, naquela época. A partir daí, temos que ver o que Paulo orientou para sanar este problema e só então tentar extrair os princípios bíblicos gerais.
1. O problema:
Paulo estava enviando Timóteo a Éfeso. Ele havia passado ali 3 anos da sua vida, então ele conhecia bem o terreno onde estava pisando. Além disso, Timóteo era um novo pastor que ia pegar um rabo de foguete logo no início do ministério. Paulo não queria que Timóteo passasse apuros, por isso teve que ser bem enfático com ele.
Temos que lembrar que a cidade de Éfeso era uma cidade voltada para a adoração da deusa Diana (grande é a Diana dos efésios). O culto a Diana era realizado por sacerdotisas, que além de sacerdotisas eram também prostitutas cultuais.
Temos que lembrar também que ali houve uma conversão em massa ao evangelho (quando queimaram uma montanha de livros de encantamento).
Agora, imagina esse povo todo entrando na igreja de uma só vez ? Imagina esse monte de sacerdotisas que estavam acostumadas a falar e realizar o culto, entrando num culto cristão? Imagina o procedimento inicial dessas prostitutas cultuais num culto cristão num primeiro momento? Ninguém entra numa igreja sabendo como se comportar, certo?
2. Orientação de Paulo a partir do problema:
Agora imagina um jovem pastor no meio dessa bagunça toda! Eu não acho dificil de imaginar essas mulheres entrando e tomando a palavra a todo momento, pois elas estavam acostumadas com isso antes. Também não acho dificil de imaginar as roupas e os trejeitos delas no culto. E ainda não acho dificil de imaginar que elas tenham exigido algum tipo de explicação para que elas não pudessem fazer nada do que faziam antes em seus antigos ritos.
Aí Paulo escreve para Timóteo falando para ele que elas tinham que ficar caladas e se perguntassem a razão, Timóteo deveria dar uma explicação histórica (Adão veio antes de Eva) e uma razão teológica (Eva pecou antes de Adao). Por falta de explicação melhor, estava dada esta. Está nas escrituras e pronto.
3. Princípios gerais que se adequam com as escrituras em geral:
A partir do contexto histórico e da solução para esse problema pontual, podemos tentar extrair o princípio bíblico que deve permanecer em nossas igrejas para sempre.
Paulo estava preocupado acima de tudo com a ordem do culto na igreja. Este princípio é o mesmo que ele aplica, por exemplo, aos coríntios. Só que ali o problema era na ceia, na relação entre os irmãos, na ordem do culto e em quase todas as áreas da igreja.
Diante de todos esses problemas, podemos reter do apóstolo o princípio da ordem no culto cristão. As formas dos problemas mudaram, a sociedade mudou, mas independente disso devemos manter a ordem no culto.
Portanto, ao meu ver, não tem nada a ver com Paulo estar inserido numa cultura patriarcal machista, mas sim com o princípio da ordem no culto diante de um problema pontual numa determina igreja que não necessariamente era o problema de outras comunidades.
Por Alexandre Milhoranza
AS MULHERES NA ÉPOCA DO APÓSTOLO PAULO

Por Walter Cardozo
São Paulo nos escreve: "Quanto às mulheres, Que elas tenham roupas decentes e se enfeitem com pudor e modéstia. Não usem tranças nem objetos de ouro, pérolas ou vestuário suntuoso. Pelo contrário, enfeitem-se com boas obras, como convém às mulheres que dizem ser piedosas. Durante a instrução, a mulher deve ficar em silêncio, com toda a submissão. Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem. Portanto, que ela conserve o silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E não foi Adão que foi seduzido, mas a mulher que, seduzida, pecou". (I Tim. 2,9-14).
Estas e outras passagens dos escritos de São Paulo têm concorrido para criar em muitas pessoas, especialmente entre os cristãos não formados e uma sociedade não religiosa, uma imagem triste do Apóstolo, apresentando-o como um homem antipático e negativo.
Porém se aprofundarmos nos escritos, fazendo uma verdadeira exegese, vamos ver uma realidade diferente e que existe um grave erro sobre a figura deste glorioso personagem da Igreja primitiva.
Carlos Mesters mostra em seu livro (Paulo Apóstolo: Um trabalhador que anuncia o Evangelho- 2008) que a relação de Paulo com as mulheres é de um profundo respeito pelo trabalho exercido por elas nas comunidades que fundou e ainda agradece e elogia seus esforços.
É bem verdade que alguns dos textos de Paulo trazem dificuldades, pois aparentemente, coloca as mulheres numa posição inferior aos homens, mas a leitura destes textos dever ser "pensando com a cabeça" daquela época, como exige a exegese. A cultura e a consciência que temos hoje não são as mesmas daquele tempo quando se fala da participação da mulher nas comunidades, pois olhando com a nossa cultura atual, Paulo seria um exemplo de machismo, opressão e retrocesso, quando na verdade deve ser considerado como um progressista para as comunidades daquela época. Carlos Mesters também nos esclarece que estes textos na maioria das vezes queriam resolver problemas de determinadas comunidades, portanto, não devem ser vistos
como leis Universais".
Marga J. Stroher ("A Igreja na Casa Delas") e Luise Schottroff (Exegese Feminista) vão dizer que o texto de Romanos 16 é a chave de leitura para a história das mulheres nas primeiras comunidades cristãs. Quando lemos este texto, nós podemos perceber claramente que o apóstolo Paulo faz agradecimentos a algumas mulheres, sendo que varias delas aparecem sem a presença de uma figura masculina.
A citação de Febe, Prisca, Maria, Preside dentre outras mulheres, chamando-as de diaconisa, colaboradora - mesmos títulos usados em referência aos seus companheiros homens demonstra o respeito que Paulo tinha com as mulheres. Numa sociedade onde a mulher não era nem sequer considerada a sua presença. Agradecimento público, pelos trabalhos realizados na comunidade, muito pouco comuns na correspondência e na mentalidade de um homem daquela época, foge do padrão machista de que Paulo é acusado e nos garantem que, na prática, Paulo atribuía um lugar de destaque à mulher.
Como nós sabemos, antigamente, os estudos de filosofia e retórica eram reservados aos homens. Na maioria das vezes, o papel de falar e ensinar eram destinados aos homens, principalmente nas sinagogas, mas algumas mulheres ainda conseguiam desempenhar este papel nas comunidades fundadas por Paulo, o que não era uma norma para aquele tempo. Nos vários textos lidos, podemos perceber que muito embora os papéis das mulheres variassem de região para região, no que diz respeito às mulheres, Paulo está mais para um autor progressista do que machista para o seu tempo. Até mesmo quando ele diz que a mulher deve profetizar com a cabeça coberta, pressupõe-se que existam profetizas, tudo o que Paulo faz é, seguindo uma tradição do Antigo Testamento, exigir que as mesmas usem véu.
Um exemplo muito claro desta ideia progressista está na carta aos Gálatas, onde encontramos um texto que é o mais forte que todos os outros que ele escreveu, em favor dos direitos da mulher. - "Em Cristo já não há grego ou Judeu, escravo ou homem livre, homem ou mulher" - é preciso lembrar que na época de Paulo, cada manhã ao se levantar, os judeus dirigiam a Deus esta prece: "Senhor, eu te dou graças porque tu não me fizeste nascer pagão, escravo, nem mulher".
No texto polêmico citado no início desta reflexão, os estudiosos da Bíblia anotam que, curiosamente, estes versículos aparecem de forma brusca, interrompendo a sequência normal da Epístola. Isto leva alguns exegetas a concluir que estes foram acrescentados mais tarde e não pertencem à Carta original de Paulo, mas foram inseridos décadas mais tarde, por causa dos excessos de algumas "Pregadoras", pouco instruídas que andavam disseminando doutrinas erradas. E, portanto era preciso contê-las.
Retomando a questão do véu onde, Paulo ordena que a mulher, ao orar ou profetizar em público, deverá usar um véu na cabeça (I Cor 11,3-10). Alguns estudiosos nos dizem, e não há unanimidade, que a questão gira em torno do costume das mulheres de cobrirem a cabeça pelo menos durante o culto. Mulheres e homens romanos cobriam a cabeça no culto; mulheres e homens gregos não o faziam, para os judeus só a mulher devia cobrir. A cobertura da cabeça era algo cultural e antes de tudo indicava valores que iam além do símbolo
Observemos que a Carta do apóstolo Paulo foi primeiramente endereçada aos irmãos da cidade de Corinto, na Grécia, uma cidade portuária muito importante, pois recebia embarcações de todas as nações através do Mar Mediterrâneo Lá ficava um anfiteatro onde, havia um culto a uma deusa chamada Afrodite. E nesses cultos havia a presença de prostitutas culturais, que tinham relações sexuais durante a cerimônia. A maioria delas tinha a cabeça raspada.
A cultura judaica era diferente dos costumes de Coríntios. As mulheres judias vestiam-se de modo diferente das gregas, o cabelo feminino nesta cultura judaica era objeto fundamental na provocação de prazeres sensuais. Nestas sociedades que usavam cobertura na cabeça, as mulheres casadas que a tinham descoberta eram consideradas infiéis aos maridos, como que procurando outro homem. Por outro lado, as prostitutas e as jovens casadoiras usavam a cabeça descoberta, pois estavam à procura de homem.
Paulo então faz uma analogia para mostrar que uma mulher sem o véu simboliza, na cultura judaica, o mesmo que a mulher com a cabeça rapada simboliza na sociedade grega. Prostituta ou infiel. O motivo maior que levou Paulo a escrever este assunto para a igreja de Corinto, foi para proteger as irmãs que tinham cabelos curtos de serem confundidas com as prostitutas culturais.
O problema dos cabelos femininos, cobertos ou não, poderia se transformar para a Igreja de Corinto em uma grande controvérsia. A lei dos judeus ordenava que fossem soltos os cabelos da mulher suspeita de adultério, como sinal de seu pecado (Num 5,18). Quando os primeiros cristãos se reuniam para suas orações, no meio deles havia mulheres que não eram judias, para as quais não havia mal nenhum usar os cabelos soltos. Então assim, para não ferir a mentalidade dos membros de mentalidade judaica causando neles escândalo, Paulo deu uma norma, prática para todas as mulheres (gregas, judias ou romanas) de cobrir a cabeça com um véu. Portanto o propósito de São Paulo, ao aconselhar o uso de véus pelas mulheres, era salvaguardar a unidade da Igreja.
Podemos também entender que as traduções destes versículos, podem não serem as mais exatas, uma tradução mais próxima do original em grego seria: "Eis porque a mulher deve trazer sobre a cabeça uma marca de autoridade", no NT esse termo nunca designa um poder a que se está sujeito (sentido passivo), mas um poder que se exerce (sentido ativo), o domínio sobre alguma coisa. Portanto, o véu é poder, no sentido de dignidade - a mulher é dona de si e não está à mercê dos olhares dos outros.
Outro detalhe que devemos observar e que, embora Paulo tenha exigido o uso do véu, permite que as mulheres rezem e falem nas assembléias litúrgicas. Assim permitir que a mulher tome parte ativa na liturgia é uma postura totalmente revolucionária do Apóstolo, já que nas sinagogas, a presença das mulheres não tinha nenhuma importância. Entre os judeus, como já falado anteriormente, para iniciar a oração era exigida a presença de 10 pessoas, no mínimo. Só que as mulheres não eram contadas, e se houvesse alguma presente, não podia explicar a Escritura, nem falar ou rezar em voz alta. Devia ficar assentada no fundo do templo para não atrapalhar os homens. Portanto: Paulo permitir que a mulher cristã fale e ore nas reuniões como faziam os homens, era uma incrível novidade.
Na questão da submissão, Paulo primeiro convoca a todos que se submetam uns aos outros, os deveres devem ser entendidos como recíprocos, e os deveres aos quais Paulo se refere, devem ser entendidos com o sentido que tinham naquela cultura. Paulo realmente apela às esposas que se submetam em certo sentido aos seus maridos, talvez para manter a ordem, mas tudo deve ser feito no temor do Senhor. Paulo, vivendo em um contexto totalmente patriarcal, abre espaço para as mulheres, elas que antes não podiam sequer entrar direito nas sinagogas, agora podem entrar e seus maridos devem ensiná-las em casa, para manter a ordem nos cultos, se esta for a vontade delas; Paulo foi o mais ativo promotor do ministério das mulheres no Novo Testamento. De fato Lídia, Evódia e Síntique tiveram um papel ativo na evangelização de Filipos e Paulo situa a participação delas precisamente no mesmo nível que a dos apóstolos homens. Ele reconhece Febe como uma líder da igreja de Cêncris, o porto mais ao leste de Corinto. Priscila liderava uma igreja doméstica com seu esposo, primeiro em Éfeso e depois em Roma. Ápia era uma integrante do comitê de três pessoas que dirigiam a igreja de Colossos. Em Corinto, Paulo assumiu como dado que as mulheres, assim como os homens, podem orar e profetizar nas assembléias litúrgicas. A profecia para Paulo é um dom de liderança, e a oração articula publicamente as necessidades da comunidade. São papéis de liderança.
Por fim a questão do silêncio da mulher na assembléia - 1Cor 14, 33b-35 - O que os exegetas afirmam que S. Paulo deseja é a ordem na assembleia. Não busca aqui tratar de hierarquia. Em Corinto havia certa desordem quanto à vivência dos carismas, isso por causa dos dons em abundância que havia no lugar. No mundo antigo, era comum o mestre ser interrompido por perguntas da platéia. Mas a interrupção era considerada rude se as perguntas refletissem ignorância sobre o assunto. Como as mulheres eram consideradas menos preparadas do que seus maridos, São Paulo teria apresentado uma solução em curto prazo (o silêncio das mulheres em situações específicas) e outra em longo prazo (instrução conseguida junto aos maridos). A solução paulina em longo prazo destaca que a mulher tem potencial para a aprendizagem e a coloca em nível de igualdade com o homem.
Concluindo nossa reflexão sobre o assunto usamos as palavras de pe. Ariel Alvarez em seu trabalho: "Jesus teve sempre um tratamento especial para com as mulheres, por serem elas, na cultura judia, submetidas e marginalizadas. Paulo, discípulo de Jesus, não poderia ser diferente. Uma leitura atenta de suas cartas nos faz descobrir nele um dos maiores defensores dos direitos da mulher. E, até mesmo um "atrevido" feminista. Na Igreja primitiva, Paulo soube colocar as mulheres em funções importantes e proeminentes no trabalho evangelizador".
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
PE. ARIEL ALVAREZ VALDÉS / Revista "Tierra Santa" / Nº 738 - Maio - Junho 1999.
PONTIFÍCIA COMISSÃO BÍBLICA. "A Interpretação da Bíblia na Igreja", São Paulo, Paulinas, 1993.BARBAGLIO, G. "As Cartas de Paulo", vols. I e II, São Paulo, Loyola, 1989.
DICIONÁRIO DE PAULO E SUAS CARTAS, São Paulo, Paulus, Vida Nova e Loyola, 2008, pp. 635-637.
MESTERS, Carlos. Paulo Apóstolo um trabalhador que anuncia o Evangelho. 9ªed. São Paulo: Paulus, 1991.
FIORENZA, Elisabeth Schussler, 1939-, As origens cristãs a partir da mulher: Uma nova hermenêutica/ São Paulo: Edições Paulinas, 1992.
STROHER, Marga J. A Igreja na Casa Delas; Ensaios e Monografias -12, IEPG, 1996.
SCHOTTROFF, Luise. Exegese Feminista: Resultados de pesquisas bíblicas na perspectiva de mulheres/ Luise Schottroff, Sílvia Schroer e Marie- Theres Wacker; tradução de Monika Ottermann. São Leopoldo: Sinodal/EST; CEBI; São Paulo: ASTE 2008.
www.Pantokrator.org.br - Comunidade Católica Pantokrator
www. Catedralgo.com.br - Catedral Metropolitana - Paróquia N.S. Auxiliadora
Por Marcos José
Introdução
O relacionamento de Paulo com umas mulheres cristãs, libertando-o da acusação de antifeminismo, mostrando que ele apoiava e incentivava as mulheres a assumirem papeis importante na comunidade cristã. Veremos três mulheres Lídia, Evódia e Síntique.
Lídia, citada no livro de Atos dos Apóstolos (cf. At 16,11-15), era originaria de Lídia (Ásia Menor), tinha um comercio de luxuosos tecidos tingidos em púrpura, era gentia, porém tinha uma admiração pela religião judaica. Deus toca o seu coração para que escute a sua mensagem e seja batizada, juntamente com toda a sua casa incluindo os servos.
Evódia e Síntique, citadas no livro de Filipenses (cf. Fl 4,2s), são moradoras da cidade de Filipos, onde se deixa subentendido que são amigas, mas por um motivo não explicado, estão em desavença, e Paulo pede ajuda a seu colega Sízigo para auxiliá-las na reconciliação.
As Mulheres da Comunidade de Filipos
At 16,11-15, mostra Paulo e Silas chegando a Filipos, cidade que recebeu o nome de Filipe, que era pai de Alexandre Magno, colônia romana desde o ano 31 a.C., era administrada segundo a lei de Roma, porém, o seu maior privilégio foi ser a primeira cidade europeia a receber a mensagem do Evangelho. Paulo e Silas foram orar a beira de um rio, chegando lá encontraram algumas mulheres, dentre elas estava Lídia, que escutava as palavras de Paulo. Deus toca profundamente o seu coração e impelida por aquela graça, pede pra ser batizada, mas não somente ela, como também toda sua casa e seus servos. Lídia se torna a primeira mulher cristã na Europa, acolhe Paulo e Silas em sua casa, não era a conduta de Paulo aceitar esse tipo de auxílio, como anteriormente não aceitou de corinto. Lídia se torna um modelo para a família cristã.
Segundo Jerome M. O'Connor, (2004) descreve que provavelmente sua casa foi onde os cristãos se reuniram pela primeira vez em Filipos. Ela participou da evangelização de Filipos, teve um papel de suma importância para que Paulo pudesse divulgar o Evangelho de Jesus Cristo. Provavelmente sem a sua ajuda seria difícil se manterem por tanto tempo na cidade.
Em Fl 4,2s, observa-se mais duas mulheres Evódia e Síntique, o verbo que Paulo usa descreve a atividade das duas mulheres como a de "atletas", a energia e o compromisso assumido por elas na difusão do Evangelho. Paulo vai mostrar o valor que elas têm, dizendo que os seus nomes estão escritos no livro da vida. Não achemos estranho, se Evódia e Síntique fossem líderes de comunidades domésticas, onde podiam coordenar e presidir essa igreja que se reunia sob o seu teto. É por esse motivo que Paulo fala publicamente do desentendimento das duas, fato esse que ultrapassava o plano pessoal e assim afetava a comunidade. Diante disso, fica claro que elas lideravam um número significativo de fieis.
Segundo O'Connor (2004), Filipos foi o primeiro lugar onde Paulo encontrou mulheres com muito dinamismo e cooperação na difusão do Evangelho. Mostrando que nenhuma daquelas mulheres criou algum problema. Paulo tinha a convicção que enquanto cristãs aquelas mulheres se encontravam em condição de igualdade com os homens, todas elas seguiam a Cristo, assim como Paulo. Se essas mulheres tiveram igual condição na fundação da Igreja de Filipos, deve-se aceitar que continuaram a ter a mesma condição em questões internas da Igreja.
Paulo relata sua predileção pela comunidade de Filipos, tendo um lugar especial em seu coração, foi a primeira Igreja fundada na Europa, como também a que mais chegou perto do ideal que Paulo tinha de uma Igreja.
Raymond E. Brown (2012) expõe que essa história parece refletir acuradamente a realidade social de Filipos, especialmente a proeminente posição exercida pelas mulheres.
José Bortolini nos leva a perceber a importância que Paulo dava a essas mulheres, pelo fato de Paulo se separar da sinagoga, ele ajuda as mulheres cristã na sua emancipação, já que na sinagoga elas tinham funções passivas, no lar elas se sentem a vontade são donas de casa, podendo acolher, coordenar e presidir a igreja doméstica que está reunida sobre o seu teto.
Conclusão
Podemos assim concluir que Paulo tinha um apreço imenso pelas mulheres, acusá-lo de antifeminista é no mínimo injusto. A sua visão das mulheres era culturalmente limitada, condicionada, assim como é a nossa nos dias de hoje. Entretanto Paulo deu um passo gigante dentro de um contexto claramente patriarcal e de exclusão da mulher. O simples fato de deixar mulheres liderando algumas comunidades de Filipos, já demonstra isso. "Será que Paulo admirava tanto essa comunidade pelo simples fato de ter mulheres que assumiam com afinco a missão de evangelizadoras?"
Bibliografia
Bortolini, José. Livro Introdução a Paulo e suas cartas, Ed. Paulus.
Bíblia do Peregrino, comentário do texto de At 16,11-15 e Fl 4,2-3
Brown, Raymund E. Livro Introdução ao Novo Testamento, Ed. Paulinas, 2012, páginas 642, 662.
O'Connor, Jerome Murphy. Livro Paulo de Tarso, história de um apóstolo, 2004, págs. 88-89
sexta-feira, 17 de maio de 2024
UM PIONEIRO DO ARREBATAMENTO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULACIONISTA
terça-feira, 19 de setembro de 2023
INVOCAR O NOME DO SENHOR
Invocar o nome do Senhor
O que significa invocar o nome do Senhor? Alguns cristãos pensam que invocar o Senhor é o mesmo que orar a Ele. Sim, invocar é uma espécie de oração, mas não é simplesmente orar. A palavra hebraica usada para invocar significa “bradar”, “clamar”, “gritar”. A palavra grega usada para invocar significa “invocar uma pessoa”, “chamar uma pessoa pelo nome”. Em outras palavras, é chamar audivelmente uma pessoa pelo nome. Embora a oração possa ser silenciosa, o invocar precisa ser audível.
Dois profetas do Antigo Testamento ajudam-nos a ver o que significa invocar o Senhor. Jeremias nos diz que invocá-Lo significa clamar a Ele (Lamentações 3:55-56). Isaías nos diz que o invocar é tirar com alegria águas das fontes da salvação (12:2-6).
Invocar o nome do Senhor no Antigo Testamento
A prática de invocar o nome do Senhor começou na terceira geração da raça humana com Enos, filho de Sete (Gênesis 4:26), e essa história prosseguiu ao longo da Bíblia com Abraão (12:8), Isaque (26:25), Moisés (Deuteronômio 4:7), Jó (Jó 12:4), Jabez (1 Crônicas 4:10), Sansão (Juízes 16:28), Samuel (1 Samuel 12:18), Davi (2 Samuel 22:4), Jonas (Jonas 1:6), Elias (1 Reis 18:24) e Jeremias (Lamentações 3:55). Os homens do Antigo Testamento não apenas invocavam o nome do Senhor; eles até profetizaram que também outros O invocariam (Joel 2:32, Sofonias 3:9; Zacarias 13:9).
Embora muitos estejam familiarizados com as profecias de Joel concernentes ao Espírito Santo, poucos perceberam que, para receber o derramamento do Espírito Santo, é preciso que se invoque o nome do Senhor. Por um lado, Joel profetizou que Deus derramaria Seu Espírito; por outro, profetizou que as pessoas invocariam o nome do Senhor. Essa profecia se cumpriu no dia de Pentecostes (Atos 2:17a, 21). O derramamento do Espírito necessita da cooperação de nosso invocar.
Praticado pelos crentes do Novo Testamento
Os crentes do Novo Testamento, desde essa ocasião no dia de Pentecostes, praticavam o invocar o nome do Senhor. Enquanto Estêvão estava sendo apedrejado até a morte, ele invocava o nome do Senhor (7:59).
Outras passagens bíblicas nos confirmam essa prática no Novo Testamento, como em Atos 9:14; 22:16; 1 Coríntios1:2, e 2 Timóteo 2:22. Saulo de Tarso recebeu autorização dos principais sacerdotes para prender todos os que invocavam o nome do Senhor (Atos 9:14). Isto indica que os primeiros crentes invocavam Jesus. Invocar o nome do Senhor era uma marca, um sinal de que eram cristãos. Se nós nos tornamos aqueles que invocam o nome do Senhor, nosso invocar vai nos distinguir como cristãos.
O apóstolo Paulo enfatizou a questão de invocar quando escreveu o livro de Romanos. Ele disse: “Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (10:12-13). Paulo também falou sobre invocar o Senhor em 1 Coríntios, quando, ao destinar a carta, identificou-se “com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.” (1:2). Além disso, em 2 Timóteo, ele disse para Timóteo seguir as coisas espirituais com os que, de coração puro, invocam o Senhor (2:22). Por esses versículos podemos ver que, no primeiro século, os cristãos praticavam bastante o invocar o nome do Senhor.
Evidencia-se assim que, ao longo do Antigo Testamento, bem como nos primeiros tempos da era cristã, os santos invocavam o nome do Senhor. Como é lamentável que isso tenha sido negligenciado pela maior parte dos cristãos por tanto tempo! Cremos que hoje o Senhor está restaurando a prática de invocar Seu nome para que desfrutemos as riquezas de Sua vida. Ó Senhor Jesus!



“Um Exemplo Para Não Ser Seguido”