sexta-feira, 7 de abril de 2023

Por Que A Cruz?

Por Que A Cruz?

Terá mesmo sido necessário Jesus derramar seu sangue na cruz de um modo tão brutal? Não poderia Deus ter providenciado a redenção de outra maneira? Terá sua execução sido apenas uma injustiça humana, um acidente no plano de Deus? Eis aqui um posicionamento bíblico.

Em Romanos 5.8, Paulo nos confronta duplamente com o passado, ou seja, com a morte do Senhor Jesus na cruz e com a nossa posição de pecadores, e também com algo que não pode ser limitado ao
passado, presente ou futuro, mas que é atemporal: o amor de Deus. Deus é amor, e como ele é eterno, seu amor também é eterno. Deus é amor de eternidade a eternidade (1Jo 4.16). Em seguida, o apóstolo mostra nos versículos 9 a 11 os colossais efeitos desse amor atemporal de Deus para o nosso presente e futuro.
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados,
seremos salvos pela sua vida! E não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por meio do nosso Senhor Jesus Cristo, mediante o qual recebemos, agora, a reconciliação” (Rm 5.8-11).

Expõe-se aqui algo decisivo, a saber, que fomos justificados pelo sangue do Senhor Jesus, e com isso chegamos à questão da razão pela qual o Senhor Jesus teve de suportar a cruz. Será que não havia nenhum outro meio? Deus não poderia ter imaginado algo mais confortável, barato e menos
sanguinário? É como alguém deu a entender certa vez: “A morte de Jesus não foi uma necessidade para a salvação, mas um ato bárbaro dos homens”. Em outras palavras: a crucificação não estava prevista, mas foi um acidente, um erro, um golpe do destino não planejado. Isso significaria que Deus não conseguiu impedir esse erro e que o Senhor Jesus não foi capaz de atender ao desafio: “Salve a si mesmo, se você é o Filho de Deus, e desça da cruz!” (Mt 27.40).

Se Jesus não pôde descer da cruz, a mensagem da cruz não seria de alegria, mas uma proclamação de vergonha. Ela não seria o anúncio de uma grandiosa vitória, mas uma memória de vergonha. Para Paulo, porém, a palavra da cruz e, com ela, a morte do Senhor Jesus, é o evangelho por excelência (1Co 2.2), cujo ápice, porém, não é a morte do Senhor, mas sua ressurreição. Não há, porém, ressurreição sem morte, e sem ressurreição não há vitória, de modo que uma depende da outra (1Co 15.20).
Em resumo, a morte do Senhor Jesus é o evento decisivo de todo o evangelho e, com isso, também de todo o propósito divino de salvação. A mensagem da cruz sempre foi
escandalosa, não há novidade nenhuma nisso (1Co 1.18). Para muitos, a simples ideia de que o Deus Todo-poderoso e santo se rebaixa ao ponto de tornar-se homem, e que, além disso, ele veio para sofrer como homem e morrer miseravelmente na cruz, é demais. Por isso existem as vozes críticas, mesmo entre os cristãos, que não só negam o sacrifício remidor de Jesus, mas que chegam a dizer de maneira provocadora, como certa vez disse uma pastora evangélica: “Não quero ter nada a ver com um Deus que necessita de sacrifícios!”.

absoluta é um valor limite do qual, na prática, só é possível aproximar-se, sem atingi-lo efetivamente. Essa é uma boa imagem da discrepância entre o Deus santo e absolutamente puro e nós, seres humanos, que jamais alcançaremos sua pureza absoluta, pelo menos não por mérito próprio. Assim, Deus teria toda razão em dizer: “Não quero ter nada a ver com uma pessoa que não quer sacrifícios”, porque o sacrifício é o que purifica o ser humano. O sangue é o que santifica o ser humano (Hb 10.14; 1Jo 1.7).

Deus não pode simplesmente desviar o olhar, porque só alguém igualmente santo e absolutamente puro tem condições de chegar à presença dele. Deus é tão santo que nem sequer pode olhar para o pecado (Hc 1.11). A morte expiatória na cruz é de fato cruel, sem dúvida, mas é indispensável, porque só o sangue do único
que é puro é capaz de purificar uma vida contaminada, assim como também somente por uma transfusão de sangue a vida de alguém pode ser salva quando seu próprio sangue está contaminado.
Um outro aspecto que muitos não reconhecem é o fato de que a morte do Senhor Jesus na cruz é um ato salvador e um sacrifício de amor. A santidade de Deus condena o pecado, mas o amor de Deus prepara uma via de escape para o pecador. É fato definitivo que a presença junto a Deus é uma zona isenta de pecado e que, assim, o acesso a Deus fica impedido para
qualquer pecado, por menor que seja e por mais amável que seja o pecador. Com a queda no pecado e seus efeitos, com a contaminação do nosso sangue, onde está a sede da vida, ficamos na prática sujeitos à ira de Deus (Rm 1.18).

No entanto, se Deus é amor, como é que ele pode estar ao mesmo tempo cheio de ira? O fato é que o amor de Deus e sua ira santa não se contradizem. A ira de Deus não é apenas uma punição, mas, ao mesmo tempo, também uma proteção. Sua ira é santa e amorosa, a ira daquele que não quer que nenhum homem se perca. Em seu amor, Deus detesta o pecado, porque ele contamina o homem e lhe subtrai a vida. Mas Deus não seria Deus se não tivesse também uma solução para esse dilema, essa
condenação do pecado, mas o amor de Deus aplaina o caminho para o perdão (Rm 5.9).

De que modo? Quando o próprio Deus se torna homem e afixa à cruz a nossa nota de débito (Cl 2.14). Deus é o justo
juiz que toma sobre si mesmo a expiação da pena que ele mesmo decretou. Existe uma história a respeito de um juiz que, segundo as leis do seu país, deveria ter condenado sua amada mãe a açoites, porque ela era claramente culpada. Seria injusto perdoá-la, mas também seria uma traição ao amor se o juiz conduzisse sua própria mãe ao justo castigo. Depois de o juiz condenar sua mãe a bem da justiça, ele se ergueu e declarou com lágrimas nos olhos: “Assumo sobre mim mesmo de forma vicária a pena da minha mãe”.

Deus não pode torcer a realidade. Deus não pode decretar arbitrariamente uma anistia geral, porque isso contraria a justiça. Seria a ruína do novo céu e da nova terra o pecado não ser vencido, expiado e eternamente condenado de uma vez por todas. Assim, o princípio é que alguém que pretenda nos livrar do pecado precisa ser pessoalmente isento de pecado. “Aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós” (2Co 5.21; cf. 1Pe 2.22).
Alguém que queira vencer a morte precisa ser mais forte que a morte (At 2.24). Alguém que queira dar vida eterna ao homem precisa ser eterno por si mesmo. Ele precisa ser verdadeiramente homem para poder morrer, e verdadeiramente Deus para poder vencer a morte e o diabo (cf. 1Jo 3.8; Hb 2.14).

Só houve um que satisfez todas essas premissas para expiar nossa culpa em nosso
lugar: Jesus Cristo! Ele é o sacerdote que apresenta a oferta e é ao mesmo tempo a oferta apresentada: “Quando, porém, Cristo veio como sumo sacerdote dos bens já realizados... não pelo sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue... obteve uma eterna redenção” (Hb 9.11-12).

Assim, a obra redentora no Gólgota é a via de escape genial de Deus para um mundo inteiramente contaminado. Ainda assim, porém, pode-se perguntar: não poderia o objetivo da reconciliação com Deus ter sido
realizado sem esse sacrifício sangrento? Seria a nossa culpa realmente tão pesada a ponto de tornar-se indispensável essa morte cruel e terrível na cruz? A resposta a essa pergunta foi dada no Jardim do Getsêmani, em que o Filho único de Deus pediu três vezes para ser poupado daquele cálice (Mt 26.39,42). E ficou bem evidente que não havia outro meio, caso contrário o Pai celestial teria intervindo o mais tardar aí. O Senhor Jesus sujeitou-se à vontade do seu Pai e empreendeu essa pesada via até a cruz, voluntária e obedientemente, até a morte (Fp 2.7-8). Ele mesmo também havia comentado que teria de sofrer tudo isso (Lc 24.46), e que isso
seria necessário para a salvação (Mc 10.45). Portanto, o próprio Filho de Deus falou a respeito da crucificação, sem alternativas para salvar o homem da sua ruína. A morte na cruz foi uma firme decisão de Deus que via nenhuma poderia contornar (At 2.23; 1Jo 4.10). Portanto, não se trata de um acidente, mas do amor de Deus que ele nos provou na pessoa de Jesus Cristo.

Indo um passo adiante na resposta à questão da necessidade da cruz: se examinarmos o relato bíblico da Criação, veremos que o homem foi criado à imagem de Deus (Gn 1.27; cf. Gn 9.6). Isso significa também que, assim como Deus é eterno, também a vida humana foi programada para a eternidade. Com seu ato criador, em que o homem representa a coroa da Criação, Deus não criou algo passageiro, mas algo que deverá permanecer eternamente. “Deus fez tudo formoso no seu devido tempo. Também pôs a eternidade no coração do ser humano...” (Ec 3.11). Por um lado,
isso se refere à noção de um Deus eterno e, por outro, que nós mesmos temos em nós essa eternidade segundo a sua imagem.

Além disso, Gn 2.7 fala do fôlego de vida que Deus soprou no homem (cf. Jó 33.4). E, quando lemos que por meio desse fôlego de Deus o homem se tornou alma vivente, isso não se refere apenas à vida como tal, já que os animais também vivem, mas a esse relacionamento muito particular com Deus, configurado para a eternidade. Afinal, a Bíblia também fala da ressurreição de todos os homens, tanto dos salvos como dos não salvos: “Os que tiverem feito o bem, para a ressurreição da
vida; e os que tiverem praticado o mal, para a ressurreição do juízo” (Jo 5.29).

Esse é um importante aspecto da nossa criação. O segundo é a interessante declaração em Levítico 17.11, segundo a qual a vida está no sangue. Essa passagem é algo como a chave para explicar por que já na antiga aliança sempre se requeria a apresentação de sacrifícios sangrentos, e por que também o Senhor Jesus precisou
selar a nova aliança com sangue (Hb 9.15-18). O mais tardar com essa declaração se revela o inseparável vínculo entre o sangue e a vida. Essa dependência mútua perpassa como um fio vermelho toda a Escritura Sagrada e é também a explicação para a impossibilidade de se estabelecer a união com Deus sem sangue.
Adão e Eva, por exemplo, ainda tentaram encobrir seu pecado com folhas de figueira. Foi a variante “vegetariana”, a
tentativa humana de salvar algo que não tinha salvação. Deus, porém, esclareceu imediatamente que a salvação e sobrevivência só seria possível com a sua intervenção, e por meio de sangue, já que, se Deus vestiu o primeiro casal humano com peles, foi necessário que um animal morresse – o que até então não havia ocorrido (Gn 3.21). E, conforme dissemos, esse princípio (sangue e vida) prossegue como
um fio vermelho. Abel apresentou ao Senhor uma oferta sangrenta das suas ovelhas. Noé ofereceu animais que ele levara para a arca especificamente com esse fim. Deus efetivou a aliança com Abraão por meio da morte de cinco animais diferentes (Gn 15.9-10). O êxodo do Egito e a Páscoa fundamentada nele não seriam concebíveis sem o sangue que teve de ser passado nas molduras das portas – e tudo isso, afinal, aconteceu ainda antes da introdução da lei com todas as suas prescrições sacrificiais.

Sem sangue não há contato nem comunhão com aquele que nos criou à sua imagem e soprou em nós o seu fôlego. Só por meio do sangue pode haver reconciliação com o Deus da vida, pois a vida está no sangue (Hb 9.18-22).

A nova aliança, a aliança da graça e do perdão, precisou ser selada com sangue, conforme as palavras do Senhor Jesus: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos, para
remissão de pecados” (Mt 26.28). O Senhor Jesus teve de oferecer o seu sangue, teve de morrer para que nós pudéssemos viver. “Porque é o sangue que fará expiação pela vida” (Lv 17.11). Por isso, Apocalipse 5.9 se refere ao Senhor Jesus dizendo: “Foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”, e, em Romanos 3.23-25, lemos:

“Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus apresentou como propiciação, [que é eficaz] no seu sangue, mediante a fé”.
Por meio da fé no seu sangue! Não basta crer num profeta chamado Jesus, em um Jesus operador de milagres, que anuncia o amor e pregou um genial Sermão do Monte, mas trata-se daquilo que o Senhor
Jesus realizou por nós na cruz. Trata-se da fé no seu sangue. Seu sangue santo, puro e precioso purifica o nosso sangue contaminado pelo pecado. Aquilo que os sacrifícios da antiga aliança ainda deixaram incompleto, que não passava de sombra daquilo que Deus prometera, tornou-se realidade por meio do sangue do Senhor Jesus.

Não havia nem há outro meio, quer entendamos isso ou não, e ainda que não o entendamos,
podemos crer que no sangue do Senhor Jesus temos a vida eterna. “Sabendo que não foi mediante coisas perecíveis, como prata ou ouro, que vocês foram resgatados da vida inútil que seus pais lhes legaram, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mácula” (1Pe 1.18-19).

Thomas Lieth é pregador e responsável pelo trabalho editorial da Chamada na Suíça.

Fonte do site:
 www.chamada.com.br

AS CONFUSÕES DA CABANA

AS CONFUSÕES DA CABANA

Dr. Paulo Romeiro 

Introdução

Já faz tempo que o liberalismo teológico tem assediado e invadido uma boa parte do campo evangélico brasileiro. Os prejuízos para a pregação do evangelho têm sido enormes. A decadência doutrinária aumenta com rapidez e muitos crentes estão cada vez mais confusos. Por várias décadas, o liberalismo teológico vem ganhando espaço nas denominações históricas e em seus seminários. Nos últimos anos, porém, alguns segmentos pentecostais foram atingidos por essa corrente de pensamento, algo inimaginável até então, pois, ser pentecostal significa crer no poder e na Palavra de Deus. A exemplo dos liberais, alguns pentecostais se julgam espertos o suficiente para duvidar de Deus e da sua Palavra. Hostilizar o cristianismo, exaltar a dúvida e questionar a Bíblia Sagrada tornou-se para muitos um sinal de academicismo e inteligência. É o que vemos hoje através das igrejas emergentes, que pregam uma ortodoxia generosa, onde as verdades e temas vitais da fé cristã perdem sua importância. Tudo indica que há uma apostasia se instalando em muitas igrejas evangélicas, algo já predito na Palavra de Deus e que aponta para a volta de Cristo (2 Ts 2.3; 2 Tm 4.1; 2 Tm 4.1-4; 2 Pe 2.1). É num solo assim, fértil para a semeadura e crescimento de distorções das doutrinas centrais da fé cristã que surge o livro A Cabana promovendo o liberalismo teológico e fazendo sucesso entre os evangélicos e a sociedade em geral. Este artigo apresenta uma breve análise, à luz da Bíblia, sobre esse best-seller a fim de responder algumas indagações de muitos cristãos.

I – Definições

Liberalismo teológico: Movimento da teologia protestante que surgiu no século XIX com o objetivo de modificar o cristianismo a fim de adaptá-lo à cultura e à ciência modernas. O liberalismo rejeita o conceito tradicional das Escrituras Sagradas como revelação divina proposital e detentora de autoridade, preferindo o conceito de que a revelação é o registro das experiências religiosas evolutivas da humanidade. Apregoa também um Jesus mestre e modelo de ética, e não um redentor e Salvador divino.

Pluralismo religioso: A crença de que há muitos caminhos que levam a Deus, que há diversas expressões da verdade sobre ele, e que existem vários meios válidos para a salvação.
Relativismo: Negação de quaisquer padrões objetivos ou absolutos, especialmente em relação à ética. O relativismo propala que a verdade depende do indivíduo ou da cultura.
Teologia relacional (teísmo aberto): Conceito teológico segundo o qual alguns atributos tradicionalmente ligados a Deus devem ser rejeitados ou reinterpretados. Segundo seus proponentes, Deus não é onisciente e nem onipotente. A presciência divina é limitada pelo fato de Deus ter concedido livre-arbítrio aos seres humanos.

II – O livro A cabana

A história do livro

Durante uma viagem que deveria ser repleta de diversão e alegria, uma tragédia marca para sempre a vida da família de Mack Allens: sua filha mais nova, Missy, desaparece misteriosamente. Depois de exaustivas investigações, indícios de que ela teria sido assassinada são encontrados numa velha cabana. Imerso numa dor profunda e paralisante, Mack entrega-se à Grande Tristeza, um estado de torpor, ausência e raiva que, mesmo após quatro anos de desaparecimento da menina, insiste em não diminuir. Um dia, porém, ele recebe um bilhete, assinado por Deus, convidando-o para um encontro na cabana abandonada. Cheio de dúvidas, mas procurando um meio de aplacar seu sofrimento, Mack atende ao chamado e volta ao cenário de seu pesadelo. Chegando lá, sua vida dá uma nova reviravolta. Deus, Jesus e o Espírito Santo estão à sua espera para um “acerto de contas” e, com imensa benevolência, travam com Mack surpreendentes conversas sobre vida, morte, dor, perdão, fé, amor e redenção, fazendo-o compreender alguns dos episódios mais tristes de sua história (Informações extraídas da orelha do livro).
O livro é uma ficção cristã, um gênero que cresce muito na cultura cristã contemporânea e comunica sua mensagem de uma forma leve e fácil de se ler. O autor, William P. Young trata de temas vitais para a fé cristã tais como: Quem é Deus? Quem é Jesus? Quem é o Espírito Santo? O que é a Trindade? O que é salvação? Jesus é o único caminho para Deus?

III – Pontos principais do livro

1. Hostilidade ao cristianismo

“As orações e os hinos dos domingos não serviam mais, se é que já haviam servido... A espiritualidade do Claustro não parecia mudar nada na vida das pessoas que ele conhecia... Mack estava farto de Deus e da religião...” (p. 59).
“Nada do que estudara na escola dominical da igreja estava ajudando. Sentia-se subitamente sem palavras e todas as suas perguntas pareciam tê-lo abandonado” (81).
Resposta bíblica: Jesus disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra a sua Igreja (Mt 16.18).

2. Experiência acima da revelação

As soluções para os probemas da vida surgem de experiência extrabíblicas e não da Palavra de Deus. As alegadas revelações da “Trindade” são a base de todo o enredo do livro. Mesmo fazendo alusões às verdades bíblicas, elas não são a base autoritativa da mensagem.

3. A rejeição de Sola Scriptura

A Cabana rejeita a autoridade da Bíblia como o único instrumento para decidir as questões de fé e prática. Para ouvir Deus, Mack é convidado a ouvir Deus numa cabana através de experiências e não através da leitura e meditação da Bíblia Sagrada.
Resposta bíblica: Rm 15.4: “Pois tudo quanto, outrora, foi escrito para o nosso ensino foi escrito, a fim de que, pela paciência e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança”.
2 Tm 3.16, 17: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a coreção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra”.
A igreja não precisa de uma nova revelação mas de iluminação para entender o que foi revelado nas Escrituras.

4. Uma visão antibíblica da natureza e triunidade de Deus

Além de errar sobre a Bíblia, A Cabana apresenta uma visão distorcida sobre a Trindade. Deus aparece como três pessoas separadas, o que pode ser chamado de triteísmo. O autor tenta negar isso ao escrever: “Não somos três deuses e não estamos falando de um deus com três atitudes, como um homem que é marido, pai e trabalhador. Sou um só Deus e sou três pessoas, e cada uma das três é total e inteiramente o um” (p. 91).
Young parece endoçar uma pluralidade de Deus em tres pessoas separadas: duas mulheres e um homem (p. 77).
Deus o pai é apresentado como uma negra enorme, gorda (p. 73, 74, 75, 76, 79), governanta e cozinheira, chamada Elousia (p.76)).
Jesus aparece como um homem do Oriente Médio, vestido de operário, com cinto de ferramentas e luvas, usando jeans cobertos de serragem e uma camisa xadrez com mangas enroladas acima dos cotovelos, mostrando so antebraços musculosos. Não era bonito (p. 75).
O Espírito Santo é apresentado como uma mulher asiática e pequena (p. 74), chamada Sarayu (p. 77, 101).
Resposta bíblica: Dentro da natureza do único Deus verdadeiro há três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. São três pessoas distintas, mas, não separadas como o livro apresenta. Além disso, o Pai e o Espírito Santo não possuem um corpo físico. Veja Jó 10.4; João 4.24 e Lucas 24.39.

5. A punição do pecado

O livro apregoa que Deus não castiga os pecados:
“Mas o Deus que me ensinaram derramou grandes doses de fúria, mandou o dilúvio e lançou pessoas num lago de fogo. — Mack podia sentir sua raiva profunda emergindo de novo, fazendo brotar as perguntas, e se chateou um pouco com sua falta de controle. Mas perguntou mesmo assim: — Honestamente, você não gosta de castigar aqueles que a desapontam”?
Diante disso, Papai interrompeu suas ocupações e virou-se para Mack. Ele pôde ver uma tristeza profunda nos olhos dela.
— Não sou quem você pensa, Mackenzie. Não preciso castigar as pessoas pelos pecados. O pecado é o próprio castigo, pois devora as pessoas por dentro. Meu objetivo não é castigar. Minha alegria é curar.
— Não entendo...”
Resposta bíblica: A Cabana mostra um Deus apenas de amor e não de justiça. Apesar de a Bíblia ensinar que Deus é amor, não falha em apresentá-lo como um Deus de justiça que pune o pecado:
“A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).
“Semelhantemente, os homens também, deixando o contato natural da mulher, se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, cometendo torpeza, homens com homens, e recebendo, em si mesmos, a merecida punição do seu erro” (Rm 1.27).
“porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6.23).
“E a vós outros, que sois atribulados, alívio juntamente conosco, quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus” (2 Ts 1.7, 8).
Cristo morreu pelos nossos pecados (1Co 15.3).

6. O milagre da encarnação

O livro apresenta uma visão errada da encarnação de Jesus Cristo: “Quando nós três penetramos na existência humana sob a forma do Filho de Deus, nos tornamos totalmente humanos. Também optamos por abraçar todas as limitações que isso implicava. Mesmo que tenhamos estado sempre presentes nesse universo criado, então nos tornamos carne e sangue” (p. 89).

Resposta bíblica:

De acordo com a Bíblia, somente o verbo encarnou (Jo 1.14). Veja ainda Gl 4.4; Cl 2.9) e (1 Tm 2.5).

7. Jesus, o melhor ou único caminho para o Pai? 

No livro, Jesus é apresentado como o melhor e não o único caminho para Deus:
“Eu sou o melhor modo que qualquer humano pode ter de se relacionar com Papai ou com Sarayu” (p. 101).
Resposta bíblica:
A Bíblia é muito clara ao afirmar que Cristo é o único que pode salvar: Is 43.11; Jo 6.68; Jo 14.6; At 4.12 e 1 Tm 2.5.

8. Patripassionismo

O livro promove uma antiga heresia denominada patripassionismo, que é o sofrimento do Pai na cruz: “O olhar de Mack seguiu o dela, e pela primeira vez ele notou as cicatrizes nos punhos da negra, como as que agora presumia que Jesus também tinha nos dele. Ela permitiu que ele tocasse com ternura as cicatrizes, marcas de furos fundos” (p. 86).
“Olhou para cima e notou novamente as cicatrizes nos pulsos dela” (p. 92).
“Você não viu os ferimento em Papai também”? (p. 151).
Resposta bíblica
A Bíblia mostra que foi Jesus quem sofreu na cruz e recebeu as marcas dos cravos e não o Pai ou o Espírito Santo. Veja João 20.20, 25, 28.

9. Universalismo

A Cabana promove o universalismo, isto é, que todas as pessoas serão salvas, não importa a sua religião ou sistema de crença. 
“Os que me amam estão em todos os sistemas que existem. São budistas ou mórmons, batistas ou muçulmanos, democratas, republicanos e muitos que não votam nem fazem parte de qualquer instituição religiosa. Tenho seguidores que foram assassinos e muitos que eram hipócritas. Há banqueiros, jogadores, americanos e iraquianos, judeus e palestinos” (p. 168, 169).
“Não tenho desejo de torná-los cristãos, mas quero me juntar a eles em seu processo para se transformarem em filhos e filhas do Papai, em irmãos e irmãs, em meus amados” (p. 169). 
Jesus afirma: “A maioria das estradas não leva a lugar nenhum. O que isso significa é que eu viajarei por qualquer estrada para encontrar vocês” (p. 169).

Resposta bíblica

Não há base bíblica para tais afirmações. A Palavra de Deus ensina que não existe salvação fora de Jesus Cristo. Apesar do universalismo ser uma doutrina agradável, popular e que reflete a política da boa vizinhança, a Bíblia afirma que nem todos serão salvos: Veja Mt 7. 13, 14; 25.31-46; 2 Ts 3.2.

Bibliografia

EVANS, C. Stephen. Dicionário de apologética e filosofia da religião. São Paulo. Vida. 2004.
NICODEMUS, Augustus. O que estão fazendo com a Igreja. São Paulo. Mundo Cristão. 2008.
PIPER, John et alli. Teísmo aberto: uma teologia além dos limites bíblicos. São Paulo. Editora vida. 2006.
WILSON, Douglas (org.). Eu não sei mais em quem eu tenho crido: confrontando a teologia relacional. São Paulo. Editora Cultura Cristã. 2006.
YOUNG, William P. A cabana. Rio de Janeiro. Editora Sextante. 2008.
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

Orgulho Do Rei Ezequias: A Soberba Acaba Com Seu Reinado

Mas Ezequias não se mostrou reconhecido pelo benefício recebido: seu coração se ensoberbeceu e a ira do Senhor se inflamou contra ele, como também contra Judá e Jerusalém.
2 Crônicas 32:25

Comentário de Albert Barnes

Seu coração foi elevado – Compare a referência marginal. O orgulho de Ezequias foi demonstrado ao exibir desnecessariamente seus tesouros aos embaixadores da Babilônia (ver 2 Reis 20:13 ).

Havia ira sobre ele – Compare 2 Reis 20: 17-18 .

Comentário de Joseph Benson

2 Crônicas 32:25 . Ezequias não prestou novamente, de acordo com o benefício que lhe foi concedido – Não era humilde, agradecido e dedicado a Deus, como deveria ter sido em razão e dever, considerando as maravilhosas interposições de Deus a seu favor, e as grandes e extraordinárias libertações que ele havia realizado para ele e seu reino; mas o favor de Deus para ele se tornou o alimento e o combustível de seu orgulho. Pois seu coração foi exaltado – Por causa daquela vitória prodigiosa sobre os assírios, sua milagrosa restauração da doença e a honra desde então feita por uma embaixada do grande rei da Babilônia. Tudo o que,

provavelmente, suscitou nele uma opinião muito grande de si mesmo, como se essas coisas fossem feitas por sua piedade e virtudes. E, em vez de andar humildemente com Deus e dar a glória de todos a ele, ele recebeu, em parte pelo menos, a honra de si mesmo, e em vão mostrou suas riquezas e preciosos tesouros aos embaixadores da Babilônia, 2 Reis 20:12 , etc. . Portanto, houve ira sobre ele – Pois o orgulho é um pecado que Deus particularmente odeia, especialmente em seu próprio povo; e os que se exaltam devem esperar ser humilhados e submetidos a providências humildes. Assim, a ira veio a Davi por seu orgulho em numerar o povo. E sobre Judá e Jerusalém – que foram justamente punidos pelo pecado de Ezequias, porque o imitaram nele, como confessam no próximo versículo.

Comentário de Adam Clarke

Ezequias não rendeu novamente – Ele adquiriu uma confiança vã, teve prazer em suas riquezas e as mostrou em vão aos mensageiros do rei da Babilônia. Veja em 2 Reis 20:12 ; (nota) etc.

Comentário de John Wesley

Mas Ezequias não prestou novamente de acordo com o benefício que lhe foi feito; porque o seu coração se elevou; por isso houve ira contra ele, e sobre Judá e Jerusalém.

Erguido – Por aquela vitória prodigiosa sobre os assírios, por sua milagrosa restauração das doenças e pela honra que lhe foi dada por uma embaixada do grande rei da Babilônia. Tudo o que provavelmente suscitou nele uma opinião muito grande de si mesmo, como se essas coisas fossem feitas por sua piedade e virtudes.

Referências Cruzadas

Deuteronômio 8:12 – Não aconteça que, depois de terem comido até ficarem satisfeitos, de terem construído boas casas e nelas morado,

Deuteronômio 8:17 – Não digam, pois, em seu coração: “A minha capacidade e a força das minhas mãos ajuntaram para mim toda esta riqueza”.


Deuteronômio 32:6 – É assim que retribuem ao Senhor, povo insensato e ignorante? Não é ele o Pai de vocês, o seu Criador, que os fez e os formou?


Todavia, quando os chefes de Babilônia lhe enviaram mensageiros para se informar do prodígio que tinha acontecido na terra, Deus o abandonou para provar e conhecer o âmago de seu coração.
2 Crônicas 32:31

Comentário de Joseph Benson

2 Crônicas 32:31 . Para investigar a maravilha feita na terra – Ou a destruição dos assírios ou o retorno do sol. Esses milagres foram feitos para alarmar e despertar um mundo estúpido e descuidado, e transformá-los de ídolos idiotas e coxos no Deus vivo. Deus o deixou – Para si mesmo, e permitiu que Satanás o tentasse, para que ele soubesse que tinha enfermidades e pecados, além de virtudes. Oh, que necessidade tem grandes homens, bons homens e homens úteis, para estudar suas próprias loucuras e enfermidades, e implorar sinceramente a Deus, que ele esconda o orgulho deles!

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Aliança De Sal

Comentário de Joseph Benson

2 Crônicas 13: 5 . Por uma aliança de sal – Uma aliança perpétua. A razão desse modo de expressão parece surgir da natureza preservadora do sal; que, portanto, foi transformado em símbolo de amizade e fidelidade. É muito provável que em todos os convênios solenes confirmados pelo sacrifício, era um costume antigo oferecer sal com o sacrifício, denotar a fé e a perpetuidade do convênio; de modo que, nessa visão, um pacto de sal signifique um pacto confirmado pelo sacrifício. Veja nota em Números 18:19. 
É um pacto de sal  isto é, um pacto perpétuo, ou aquele que deve durar enquanto a dispensação durar; veja Levítico 2:13 . A razão desse modo de expressão parece surgir da natureza preservadora do sal; que, portanto, provavelmente, era considerado símbolo de amizade e fidelidade. Daí o provérbio grego, a?a ?a? t?ape?a? µ? pa?aßa??e??, não violar o sal e a mesa; isto é, as leis da amizade e hospitalidade. É muito provável que em todos os convênios solenes confirmados pelo sacrifício, era um costume antigo oferecer sal com o sacrifício, denotar a fé e a perpetuidade do convênio; de modo que, nessa visão, um pacto de sal signifique um pacto confirmado pelo sacrifício. 
Comentário de Adam Clarke

É uma aliança de sal – isto é, uma aliança incorruptível e eterna. À medida que o sal era adicionado a diferentes tipos de viands, não apenas para lhes dar prazer, mas para preservá-los da putrefação e decadência, tornou-se o emblema da incorruptibilidade e permanência. Portanto, uma aliança de sal significava uma aliança eterna. Já vimos que, entre os asiáticos, comer juntos era considerado um vínculo de amizade perpétua; e como o sal era um artigo comum em todas as suas refeições, pode ser em referência a essa circunstância que um pacto perpétuo é denominado pacto de sal; porque as partes comeram juntas o sacrifício oferecido na ocasião, e toda a transação foi considerada como uma liga de amizade sem fim.


Comentário de Joseph Benson


2 Crônicas 13:12 . Eis que o próprio Deus está conosco para o nosso capitão – Aqui em nosso acampamento. Podemos ter certeza de que ele está conosco, porque estamos com ele. E como sinal de sua presença, temos aqui conosco seus sacerdotes, tocando suas trombetas – De acordo com a lei, como um testemunho contra você e uma garantia para nós de que no dia da batalha seremos lembrados diante do Senhor nosso Deus, e salvo de nossos inimigos. Veja Números 10: 9 , onde este sinal sagrado é assim explicado. Nada é tão eficaz para embelezar os homens, e lhes dar coragem e coragem no dia da batalha, a fim de garantir que Deus está com eles e lutar por eles. Não lute contra o Deus de seus pais – É tolice lutar contra o Deus de todo-poderoso poder; mas é traição e ingratidão de base lutar contra o Deus de seus pais, e você não pode esperar prosperar. Assim, ele conclui dando-lhes um aviso justo.


Judá soltou o grito de guerra e enquanto ecoava esse clamor, Deus feriu Jeroboão e todo o Israel diante de Abia e Judá.

2 Crônicas 13:15


Comentário de Joseph Benson


2 Crônicas 13:15 . Então os homens de Judá gritaram: – Na confiança da vitória, os sacerdotes os animavam tocando as trombetas e dando-lhes segurança da presença de Deus com eles. Ao grito de oração, acrescentaram o grito de fé, e assim se tornaram mais do que vencedores. Deus feriu Jeroboão e todo o Israel – Ele golpeou ele e seu exército com tanto terror e espanto que, ao que parece, eles não conseguiram dar um golpe, mas fugiram com a maior precipitação imaginável, e os conquistadores não deram quartel; e mataram quinhentos mil homens escolhidos à espada; mais (diz-se) do que nunca que lemos em qualquer história, tenha sido morto em uma batalha. Mas a batalha foi do Senhor; quem castigaria a idolatria de Israel e seria o dono da casa de Davi. Mas veja os tristes efeitos da divisão! Foi o sangue dos israelitas que foi derramado como água pelos israelitas, enquanto os pagãos, seus vizinhos, para quem o nome de Israel anteriormente era um terror, gritaram: Ah, nós também o teríamos.


Comentário de John Wesley


Então os homens de Judá deram um grito; e como os homens de Judá gritaram, Deus feriu Jeroboão e todo o Israel diante de Abias e Judá.

Gritou – É um conforto indescritível que nenhum estratagema ou emboscada possa interromper nossa comunicação com o céu. Ao grito de oração, acrescentaram o grito de fé, e assim se tornaram mais do que vencedores.

quarta-feira, 12 de outubro de 2022

Democracia A Política De Hoje

Os contexto histórico da Escrituras Sagradas é um mundo de monarquias e impérios, sem muitos direitos individuais assegurados e muitos deveres.  Sequer havia sistema de Previdência Pública. Todos trabalhavam literalmente até morrer. A velhice incapacitante era responsabilidade dos filhos. Ser viúva sem filhos era tragédia social das mais graves (Lei de Moisés amparava as viúvas e a Igreja Primitiva também) . 

Com o advento do Estado moderno temas importantes como educação e saúde universais,  saneamento básico, acesso à água potável, organização das cidades foram ganhando relevância. 

Em uma época remota, quando não havia o compromisso do Estado com a organização social, o Estado cuidava da segurança pública apenas.  Sem uma agência como a ONU, por exemplo, para mediação de conflitos internacionais, a necessidade de fortificar as fronteiras, equipar o exército e reforçar a segurança era quase dever único do Estado. 

Os tempos avançaram e a responsabilidade dos magistrados também! 

Ainda bem! 

A vida hoje pode ser mais digna.

Rev. Pastor Idauro Campos

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Notícias falsas no Brasil

As notícias falsas no Brasil não são algo novo. No país, o fenômeno sempre foi conhecido de quem acompanhava o noticiário político.[1] Notícias falsas, distribuídas no período das eleições, tentando minar a reputação de alguns candidatos. Com os avanços tecnológicos e a facilidade de acesso à informação, com o surgimento da internet, e das redes sociais, as notícias falsas tomaram proporções cada vez maiores devido à facilidade que se tem em gerá-las, publicá-las e compartilhá-las. Cerca de 12 milhões de pessoas difundem notícias falsas sobre política no Brasil[2] e, segundo pesquisa do Instituto Ipsos de 2018, o brasileiro é o povo que mais acredita em fake news dos 27 países que fizeram parte da pesquisa.[3] A pesquisadora Claire Wardle em um artigo no First Draft News[4] fala das motivações da criação de notícias falsas como exemplo, interesse em ganhos financeiros.[5] Pode ocorrer por motivos partidários, para prejudicar adversários políticos,[6] e até mesmo por motivos de brincadeira, sem real intenção de prejudicar alguém, como os sites de notícias humorísticas que criam notícias falsas na web como exemplo: Sensacionalistas,Tabloidebr, entre outros, que por vezes alguns leitores acabam acreditando na brincadeira e compartilhando como se fosse uma noticia real, chegando a viralizar e até canais de notícias reproduzirem a notícia falsa sem antes fazer a verificação.[carece de fontes] Com relação ao tema das notícias falsas estão entre os mais variados como, política, esportes, vida de famosos, hábitos alimentares, saúde, entre outros. História República Velha (1889-1930) Conforme o historiador Rodrigo Trespach, as notícias falsas eram comuns na República Velha: Se, por um lado, os jornais contribuíam com notícias e denúncias de corrupção e fraudes eleitorais, por outro, eram responsáveis pela circulação de fofocas e informações falsas. Muitas redações não tinham repórteres e o próprio dono do jornal era o redator, não havia checagem de fontes e, muitas vezes, o que era publicado tinha como origem inimigos políticos e pessoais, contando quase sempre com o anonimato ou pseudônimos. "Quando noticiar não passava de uma tarefa eventual, a apuração não existia", escreveu o jornalista e historiador Juremir Machado. Foi o que ocorreu em 1921, quando o Correio da Manhã publicou cartas atribuídas a Artur Bernardes ofendendo o ex-presidente Nilo Peçanha e o Exército brasileiro. As cartas eram falsas, mas o fato desencadearia a revolta dos Tenentes, em 1922, dando início a uma série de conflitos que culminariam na Revolução de 30 — Trespach, Rodrigo (13 de maio de 2021). A Revolução de 1930: O conflito que mudou o Brasil. Rio de Janeiro: Harper Collins. p. 31 Dados As cinco principais plataformas sociais usadas para acessar notícias na última semana no Brasil segundo o relatório Trust in News, Segundo estudo do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (GPOPAI) da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas difundiam notícias falsas sobre política no Brasil em 2017.[2] Uma pesquisa do IBOPE para analisar o grau de confiança do brasileiro nas redes sociais como fonte para a escolha do melhor candidato em 2018 revelou que para 36% dos brasileiros, as mídias sociais teriam muita influência nesse processo, enquanto 56% disseram que elas teriam apenas “algum” potencial. A pesquisa da GlobeScan[7] realizada entre janeiro e abril de 2017 para a BBC, entrevistou mais de 16 mil adultos em 18 países, revelou que o Brasil é a nação que mais se preocupa com a veracidade das noticias nos meios digitais em dentro do grupo estudado, com (92%) dos entrevistados respondendo que se preocupavam com a veracidade das notícias. Outros países que também tiveram uma taxa de preocupação elevada foram Indonésia (90%),e a Nigéria (88%). Já os países que obtiveram os níveis relatados de preocupação com o conteúdo falso da Internet mais baixos foi a Alemanha com (51%), e o México com (65%). Na mesma pesquisa, também perguntou-se se o acesso à Internet deveria ser um direito fundamental de todos os cidadãos, o Brasil obteve (96%) enquanto a média de todos países foi (83%). Quanto à questão da não regulamentação da internet o Brasil foi um dos que mais se opunham à qualquer tipo de regulação na internet com (72%), ficando atrás apenas da Grécia (84%),e da Nigéria (82%). O relatório Trust in News, resultado de um estudo feito pela Kantar,[8] no Brasil, EUA, Reino Unido e França, mostrou que a credibilidade dos veículos impressos e canais de TV e rádio era mais resistente ao descrédito do público em detrimento às redes sociais. No Brasil, 69% dos entrevistados acreditam no impacto das notícias falsas no processo de eleição. As cinco principais plataformas sociais que foram usadas para acessar notícias na última semana que os entrevistados no Brasil responderam foram o Facebook com (86%), Whatsapp com (59%), Youtube com (53%), Google+ com (35%) e o Instagram com (31%). Combate de notícias eleitorais falsas Com a reforma política aprovada pelo Congresso Nacional foi atribuída ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a incumbência de regulamentar uma série de questões relacionadas à propaganda eleitoral, como a veiculação de conteúdos eleitorais na internet e o uso de ferramentas digitais.[9] A legislação permite que, a pedido do candidato, partido ou coligação, a Justiça Eleitoral possa determinar a suspensão do acesso a conteúdos que violem disposições legais. Também proíbe a veiculação de conteúdos de caráter eleitoral por perfis falsos. Analisando o impacto negativo das notícias falsas nas eleições, como ocorreu nas campanhas a candidatura a presidência americana e francesa, de Hillary Clinton e Emmanuel Macron.[10][11] Associado ao que já ocorreu no Brasil, embora em uma escala muito menor, em 2013 a disputa presidencial já estava sendo influenciada pelas notícias falsas. Boatos sobre o encerramento do programa Bolsa Família atingiram a então presidente Dilma Rousseff, levando centenas de beneficiários às agências da Caixa Econômica Federal. Na época, a Policia Federal concluiu que o boato “foi espontâneo”, “não havendo como afirmar que apenas determinada pessoa ou determinado grupo o tenha gerado”.[12][13] Nesse intervalo de tempo houve um grande crescimento no uso das redes sociais e smartphones, o que aumentaria bem mais a disseminação e alcance das notícias falsas nas próximas eleições .[14][15] "Hoje temos uma realidade de uso constante da Internet como arma de manipulação do processo político. E isso vem crescendo rapidamente, com a utilização, cada vez maior, das chamadas fake news. E essa é a realidade com que teremos de lidar e combater no ano que vem. A prática é uma estratégia antiga dos marqueteiros, que sabem que a recepção de conteúdo pelos seres humanos é seletiva e que, por isso, precisam adaptar o discurso de seus candidatos para elevar seu alcance e, em última instância, conseguir votos. A diferença é que, com a Internet e as redes sociais, a disseminação dessa informação passou a ser mais rápida, mais fácil, mais barata e em escala exponencial”, disse o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, (7/12/2017), na abertura do I Seminário do Fórum Internet e Eleições – Um desafio Multidisciplinar. O evento teve como objetivo discutir as novas regras eleitorais e a influência da Internet nas Eleições de 2018, em especial o risco das fake news e o uso de robôs na disseminação das informações.[16] Também no evento, o ministro de Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab e o coordenador da CGI, Maximiliano Martinhão trataram da tecnologia nas eleições, exposição constantemente a notícias falsas e formas de combatê-las. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) montou uma força-tarefa para combater a proliferação de noticias falsas nas disputas eleitorais do próximo ano. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Gilmar Mendes, instituiu o Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições que vai propor medidas para barrar a propagação de notícias falsas nas eleições de 2018. Entre as competências do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições estão o desenvolvimento de pesquisas e estudos acerca das regras eleitorais e os impactos da internet nas eleições.[17] Composto inicialmente por dez membros, entre eles o secretário-geral da presidência do TSE, Luciano Fuck, o general Jayme Octávio de Alexandre Queiroz, do Centro de Defesa Cibernética do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército Brasileiro, e o diretor adjunto da Abin, Frank Márcio de Oliveira, já se reuniram e discutiu-se a necessidade da criação de cartilhas e campanhas de conscientização para a população, elaboração de manuais de procedimentos para os juízes eleitorais, criação de um ambiente virtual. E propor ações e metas voltadas ao aperfeiçoamento das normas.[18] O futuro presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, falou que é a favor da criação de mecanismos de obstrução à disseminação de "fake news", para que elas não venham a influenciar negativamente e prejudicar candidaturas legítimas.[19] Com as medidas que o TSE vem tomando para barrar o avanço de "fake news" nas eleições de 2018, entidades da sociedade civil reagiram à inclusão do Exército, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Polícia Federal nos debates, receosos que haja margem para excessos e ameaça à liberdade de expressão. Podendo gerar vigilantismo exacerbado, em um processo autoritário.[20] No dia 23 de julho, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal fez a sua primeira condenação por fake news. O desembargador eleitoral Carlos Divino Vieira Rodrigues ordenou que o Facebook retirasse uma publicação sem fontes feita pelo ator Alexandre Frota sobre o deputado Chico Leite, pré-candidato ao senado.[21] Notícias falsas durante a pandemia de COVID-19 Ver também: Desinformação na pandemia de COVID-19 Ao longo da pandemia de COVID-19 no Brasil tem-se registrado um grande volume de notícias falsas a respeito da doença, que se disseminam através das mídias digitais e se colocam como um obstáculo adicional ao enfrentamento da Crise sanitária.[22][23] Muitas dessas notícias são profissionalmente criadas por grupos organizados de forma a transmitir confiabilidade[22][23] e são financiadas por indivíduos e instituições com motivações comerciais, políticas ou outras.[23] A camada menos instruída da população é o alvo mais vulnerável e,[23] segundo o Ministério da Saúde, boatos espalhados na Internet têm reduzido o alcance das campanhas de vacinação promovidas no país desde 2016.[24] Os conteúdos falsos visaram primeiramente confundir sobre aspectos sanitários da doença, disseminando falsas técnicas de prevenção, diagnóstico e cura. Depois, concentraram-se em descredibilizar o isolamento social e em colocar em evidência o impacto negativo sobre a economia,[25] assim, foram veiculadas falsas informações como a que a Organização Mundial da Saúde teria revogado as recomendações de isolamento social e dados falsos sobre outros países, como Estados Unidos, Itália, Países Baixos e Suécia, de forma a corroborar o relaxamento do isolamento.[25]No início de 2020, ganharam grande repercussão as recomendações feitas em vídeo por um "químico autodidata" de substituir o álcool gel pelo vinagre como antisséptico para a mãos,[26] de forma que o Conselho Federal de Química pronunciou-se em nota oficial sobre a eficácia das soluções alcoólicas e repudiando a ação de um profissional não qualificado e não registrado.[26][27] As informações enganosas também são usadas para descredibilizar informações científicas e o sistema público de saúde, conduzindo a população a se proteger menos eficazmente contra a doença.[28] Além disso, outras postagens almejam a disseminar o alarde público[23] e o medo da vacina, com alegações de que os imunizantes causariam alterações no DNA, levando a cânceres, transmitiriam HIV e ou próprio coronavírus[29] e que levariam à infertilidade feminina[30][31] e à masculina.[32] Populações indígenas são especialmente suscetíveis às informações falsas.[33] Frequentemente, o acesso à Internet fica limitado aos pacotes gratuitos oferecidos pelas operadoras de telefonia, que normalmente incluem Facebook, Instagram e WhatsApp.[34] A ideia de que o DNA pode ser alterado ou que essa população estaria sendo usada como cobaia para testes do imunizante são as principais razões para os indígenas se recusar a tomar a vacina.[33]A oposição de Jair Bolsonaro à vacina é outro fator para os indígenas desconfiarem da vacinação. A fala do presidente com maior repercussão entre os povos indígenas foi "se você virar um jacaré, é problema de você (…) Se você virar o super-homem, se nascer barba em alguma mulher ou um homem começar a falar fino (...)".[34]Na cultura ameríndia, o animais são como seres humanos, sendo plausível que um homem se transforme em réptil.[33]Pastores evangélicos também se mostraram difusores do discursos antivacina, alguns deles tendo propagado a informação de que a vacina é dotado de um "chip do diabo".[33][34][35] No interior do estado de São Paulo, dois juízes distintos fundamentaram decisões contrárias às medidas sanitárias impostas por decretos municipais e estaduais com base em uma falsa declaração da Organização Mundial de Saúde. Segundo os magistrados, a OMS teria desrecomendado o lockdown no combate ao coronavírus e que não haveria comprovação sobre a eficácia do isolamento. A organização, contudo, nunca fez essa declaração e tem se posicionado publicamente pelas restrições sociais.[36] Diversas iniciativas foram criadas no mundo todo com esclarecer a população e combater a desinformação.[23] Rede sociais e de comunicações têm criado dispositivos para eliminar falsas informações sobre a doença.[37] O Ministério da Saúde elaborou uma página para desmentir notícias falsas e a Organização Mundial da Saúde abriu um canal de comunicação no WhatsApp para dirimir dúvidas em português.[25]Ainda não há provisão legal para combater as notícias falsas, mas "provocar alarma, anunciando desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de produzir pânico ou tumulto" é contravenção conforme o artigo 41 da Lei de Contravenções Penais.[23] [38][39]

Notícia Falsa

Notícia falsa Nota: Não confundir com Noticiário satírico. Diagrama sobre como identificar notícias falsas da IFLA em português Notícias falsas (sendo também muito comum o uso do termo em inglês fake news) são uma forma de imprensa marrom que consiste na distribuição deliberada de desinformação ou boatos via jornal impresso, televisão, rádio, ou ainda online, como nas mídias sociais.[1] Este tipo de notícia é escrito e publicado com a intenção de enganar, a fim de se obter ganhos financeiros ou políticos, muitas vezes com manchetes sensacionalistas, exageradas ou evidentemente falsas para chamar a atenção.[2][3] O conteúdo intencionalmente enganoso e falso é diferente da sátira ou paródia. Estas notícias, muitas vezes, empregam manchetes atraentes ou inteiramente fabricadas para aumentar o número de leitores, compartilhamento e taxas de clique na Internet.[2] Neste último caso, é semelhante às manchetes "clickbait", e se baseia em receitas de publicidade geradas a partir desta atividade, independentemente da veracidade das histórias publicadas.[2] As notícias falsas também prejudicam a cobertura profissional da imprensa e torna mais difícil para os jornalistas cobrir notícias significativas.[4][5] O fácil acesso online ao lucro de anúncios online, o aumento da polarização política e da popularidade das mídias sociais, principalmente a linha do tempo do Facebook,[6][2] têm implicado na propagação de notícias deste gênero. A quantidade de sites com notícias falsas anonimamente hospedados e a falta de editores conhecidos também vêm crescendo, porque isso torna difícil processar os autores por calúnia.[7] A relevância dessas notícias aumentou em uma realidade política "pós-verdade". Em resposta, os pesquisadores têm estudado o desenvolvimento de uma "vacina" psicológica para ajudar as pessoas a detectar falsas informações.[8][9] Além da disseminação de notícias falsas através da mídia, a expressão também define, em um âmbito mais abrangente, a disseminação de boatos pelas mídias sociais, por usuários comuns. Algumas vezes, isso pode ter consequências graves, como o notório caso ocorrido em 2014, do linchamento de uma dona de casa na cidade de Guarujá, no litoral do estado de São Paulo, Brasil.[10] Definição Fake news ("notícia falsa", em português) é um termo novo, ou neologismo,[11] usado para se referir a notícias fabricadas. O termo fake news originou-se nos meios tradicionais de comunicação, mas já se espalhou para mídia online. Este tipo de notícia, encontrada em meios tradicionais, mídias sociais ou sites de notícias falsas, não tem nenhuma base na realidade, mas é apresentado como sendo factualmente corretas.[12] Michael Radutzky, um produtor do show 60 Minutes da CBS[desambiguação necessária],[13] disse que seu show considera notícias falsas como "histórias que são comprovadamente falsas, têm um enorme tração [apelo popular] na cultura, e são consumidas por milhões de pessoas". Ele não inclui notícias falsas que são "invocadas por políticos contra os meios de comunicação sobre as histórias ou comentários que eles não gostam ".[14] Guy Campanile, também produtor de 60 Minutos, disse: "Estamos falando de histórias que são fabricadas do nada. De forma geral, criadas deliberadamente e que qualquer por qualquer definição sejam mentira."[14] A intenção e o propósito por trás da notícias falsas é importante. Em alguns casos, o que parece ser uma falsa notícia pode ser, na verdade, notícias de sátira, que usa o exagero e introduz elementos não verdadeiros com o objetivo de divertir ou fazer um ponto, em vez de enganar. Propagandas também pode ser falsas notícias.[2] Claire Wardle, do First Draft News, identifica sete tipos de notícias falsas[15]: 1. Sátira ou paródia ("sem intenção de fazer mal, mas tem potencial para enganar"). 2. Falsa conexão ("quando as manchetes, visuais das legendas não dão suporte a conteúdo"). 3. Conteúdo enganoso ("má utilização da informação para moldar um problema ou de um indivíduo"). 4. Contexto falso ("quando o verdadeiro conteúdo é compartilhado com informações falsas contextuais"). 5. Conteúdo impostor ("quando fontes verdadeiras são forjadas" com conteúdo falso). 6. Conteúdo manipulado ("quando informação genuína ou imagens são manipuladas para enganar", como fotos "adulteradas"). 7. Conteúdo fabricado ("conteúdo novo é 100% falso, projetado para enganar e fazer mal"). Em pesquisa realizada pela Kantar em 2017,[16] a definição de notícias falsas (fake news, no termo em inglês popularizado pelo presidente dos EUA, Donald Trump) ainda não era muito clara: 58% dos brasileiros entrevistados achavam se tratar de "uma história deliberadamente fabricada por um meio de comunicação", 43% pensavam que o termo se referia a "história divulgada por alguém que finge ser um meio de comunicação", 39% apontavam que seria "uma história que contém erro de informação" e 27% apostavam que seria uma "história tendenciosa".[17] Em uma análise mais direta, as notícias falsas seriam "imitações fraudulentas de gêneros jornalísticos, cujo objetivo é emprestar as marcas discursivas de uma instituição social dos Estados democráticos para levar o leitor a conferir maior credibilidade a seu conteúdo[18]". Identificação A Federação Internacional das Associações e Instituições de bibliotecária (IFLA) publicou um diagrama com dicas para ajudar as pessoas a identificarem notícias falsas (imagem da versão em português do diagrama a direita).[19] 1. Considere a fonte da informação: tente entender sua missão e propósito olhando para outras publicações do site. 2. Leia além do título: Títulos chamam atenção, tente ler a história completa. 3. Cheque os autores: Verifique se eles realmente existem e são confiáveis. 4. Procure fontes de apoio: Ache outras fontes que suportem a notícias. 5. Cheque a data da publicação: Veja se a história ainda é relevante e está atualizada. 6. Questione se é uma piada: O texto pode ser uma sátira. 7. Revise seus preconceitos: Seus ideais podem estar afetando seu julgamento. 8. Consulte especialistas: Procure uma confirmação de pessoas independentes com conhecimento. Há algumas instituições como "Aos Fatos" e International Fact-Checking Network (IFCN) que se propõem a checar notícias e julga-las como falsas ou verdadeiras. A IFCN faz uso de uma rede colaborativa e faz um treinamento de seus colaboradores para que possam validar as histórias.[20] O Facebook se comprometeu a ajudar seus usuários a identificar as notícias falsas,[21] e adicionou em cerca de 14 países uma seção com dicas sobre como reconhecer notícias falsas. Os leitores também estão se tornando mais céticos e atentos: uma pesquisa mostrou que mais de 3 em cada 4 leitores de notícias verificaram fatos em uma notícias de independente,[22] enquanto 70% reconsideraram compartilhar uma matéria por receio de que ela pudesse ser uma notícia falsa. Detecção automática O MIT desenvolveu um sistema de inteligência artificial que reescreve automaticamente frases da Wikipédia contendo informações obsoletas com pouca ou nenhuma intervenção humana, mantendo a linguagem semelhante à maneira como os humanos escrevem e editam. Portanto, o texto criado usando a IA não parecerá incomum em um parágrafo cuidadosamente criado.[23] O sistema de inteligência artificial pode ser usado para fins como detectar automaticamente notícias falsas.[24] História Repórteres com várias formas de "notícias falsas", de uma ilustração de 1894 por Frederick Burr Opper. Orson Welles explica para jornalistas a transmissão de A Guerra dos Mundos em 30 de outubro de 1938. Imagem intencionalmente enganosa de Hillary Clinton sobre uma foto de 1977 do reverendo Jim Jones, da igreja Templo do Povo. Notícias falsas não são uma exclusividade do século XXI. Através de toda a história há vários episódios em que rumores falsos foram espalhados tendo grandes consequências.[25] Por exemplo: O político e general romano Marco Antônio cometeu suicídio motivado por notícias falsas. Haviam falsamente dito a Marco Antonio que sua mulher, a Cleópatra também havia cometido suicídio. No século VIII a Doação de Constantino foi uma história forjada, em que supostamente Constantino havia transferido sua autoridade sobre Roma e a parte oeste do Império Romano para o Papa. Poucos anos antes da Revolução Francesa, vários panfletos eram espalhados em Paris com notícias, muitas vezes contraditórias entre si, sobre o estado de falência do governo. Eventualmente, com vazamento de informações do governo, informações reais sobre o estado financeiro do pais foram a público.[26] Benjamin Franklin escreveu notícias falsas sobre Índios assassinos que supostamente trabalhavam para o Rei George III, com o intuito de influenciar a opinião pública a favor da Revolução Americana.[26] Em 1835 o jornal The New York Sun publicou notícias falsas usando o nome de um astrônomo real e um colega inventado sobre a descoberta de vida na lua. O propósito das notícias foi aumentar as vendas do jornal. No mês seguinte o jornal admitiu que os artigos eram apenas boatos.[26] Hannah Arendt defendia que o totalitarismo massificou a desinformação.[27] Uma contribuição valiosa para a vitória de Eurico Gaspar Dutra na eleição presidencial de 1945 veio de Hugo Borghi, que distribuiu milhares de panfletos acusando o candidato Eduardo Gomes de ter dito: ''Não preciso dos votos dos marmiteiros''. O que Eduardo pronunciou na verdade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de novembro (menos de um mês antes do pleito, ocorrido em 2 de dezembro), foi: "Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da República".[28][29] Outros exemplos de fakes na história brasileira podem ser citados, como o Plano Cohen, as cartas falsas atribuídas a Artur Bernardes[30] e o fato de que até mesmo Tiradentes produziu falsas informações.[31] No decorrer da Guerra Fria, com o objetivo de confundir e induzir governos e órgãos de informações ocidentais ao erro, a inteligência soviética empregou estratégias conhecidas como Medidas ativas. Estas, usavam contrainformação, manipulação da mídia e desinformação.[32] Dentre as teorias conspiratórias criadas pela URSS para manipular e confundir a mídia e governos de países do ocidente, destacaram-se a operação INFEKTION,[33] que lançou sobre os EUA a culpa pela "criação" da AIDS, as acusações que presidente Kennedy foi assassinado por um complô tramado pela CIA e, que os os estadounidenses não pousaram na Lua.[32] Notícias falsas, forjadas pelos órgãos de inteligência soviéticos por meio de medidas ativas, revelaram-se tão convincentes que algumas ainda continuam recebendo crédito no século XXI.[32] Entre esses e muitos outros exemplos é possível perceber que esse é um recurso que foi amplamente usado na história, muitas vezes com o propósito de beneficiar alguém ou algum movimento social.[26] Século XXI No século XXI, o uso e impacto das notícias falsas se tornou amplo, assim como o uso do termo. Além de ser usado para criar histórias inventadas para enganar os leitores é um recurso usado para aumentar a quantidade de leitores online e assim aumentar os lucros dos sites. O termo também passou a ser usado para sites de notícias de sátira, que não tem o propósito de enganar, mas fazer comédias sobre eventos reais compartilhados na mídia tradicional.[34][35] No Brasil um bom exemplo de site de sátira é o Sensacionalista. Em fevereiro de 2017 o presidente americano Donald Trump deu uma nova evidência as fake news acusando um repórter da CNN de produzir notícias falsas e se recusando a responder sua pergunta em uma conferência de imprensa.[36] Atualmente notícias falsas ficam populares rapidamente com o auxilio de redes sociais como Facebook e Twitter muitas vezes chegando aos trend topics.[37] Essas notícias quando não patrocinadas por motivos políticos são financiadas pela "industria de cliques" que grandes plataformas de propaganda digital como o Google AdSense criaram.[38] Sites podem ganhar dinheiro baseado em cliques nas propagandas, e para aumentar suas taxas de cliques e frequentadores de suas páginas publicações são feitas com manchetes chamativas muitas vezes distorcendo o texto publicado ou com mentiras.[39] Por exemplo, não é incomum sites de fofoca inventarem a morte de alguma celebridade para atrair leitores.[40] É importante analisar como e porque notícias falsas se espalham facilmente nas redes sociais. Elas são geralmente apelativas emocionalmente, ou reforçam algum ideal politico ajudando a reforçar crenças e por isso são amplamente compartilhadas e comentadas antes mesmo que os usuários chequem as fontes das notícias.[39] Outro efeito realçado nas redes sociais é o de Câmara de eco,[41] em que pessoas se isolam de grupos com ideais diferentes evitando assim o contraponto de ideais que possam vir a revelar a falsidade de algumas notícias. Os presidentes Trump (EUA) e Bolsonaro (Brasil) são alvo de críticas em relação à divulgação ou compartilhamento de notícias falsas e/ou perigosas. Empresas como o Google e Facebook vêm sendo acusadas[42][43] como umas das responsáveis por facilitar a disseminação das notícias falsas. O Facebook com seus algoritmos de busca e o google com seu engenho de busca são hoje as principais formas de jovens terem acesso a notícias em seu dia a dia.[44] Ambas empresas se comprometeram recentemente a combater esse problema,[45][46] o Google por exemplo bloqueou alguns sites que ele julgou como de notícias falsas de suas redes de anúncios bloqueando assim a fonte de renda dos mesmos, além disso adicionou uma nova função na sua ferramenta de busca de notícias.[21] Durante a crise sanitária provocada pela pandemia de Covid-19, Twitter, Instagram e Facebook bloquearam publicações de Jair Bolsonaro para evitar a difusão de "desinformação passível de causar danos físicos às pessoas" e de "conteúdos que se opõem às instruções vindas de fontes oficiais e que poderiam aumentar o risco de transmissão" do vírus.[47] Há um debate sobre a legitimidade das redes sociais para decidir quais são as notícias verdadeiras. Como elas controlam o acesso a informação de grande parte da população elas poderiam obter um poder de censura e de julgar o que é verdade e o que não é. A academia também já tenta procurar soluções de classificadores baseados em aprendizagem de máquina que possam identificar notícias verdadeiras e falsas. Há várias pesquisas nesse sentido, e na tentativa de fomenta-las em 2017 foi criado fake news challenge, uma competição em busca dos melhores classificadores automáticos de notícias. Grandes empresas de tecnologia têm combatido o que consideram notícias falsas; por exemplo, a Google está gastando US$25 milhões para combater notícias falsas em sua plataforma YouTube. O investimento pretende combater principalmente coberturas urgentes e de última hora.[48] Em 30 de julho de 2018, um serviço de checagem de notícias, denominado Fato ou Fake, foi criado no Brasil pela cooperação de Rede Globo, GloboNews, G1, O Globo, Extra, Época, Valor e CBN, com a intenção de combater a propagação de notícias falsas que não estejam presentes em suas representadas.[49][50] Impactos Cartaz sobre fake news. A disseminação de notícias falsas é facilitada pelo acesso em larga escala a mídias sociais, e seus impactos podem ser igualmente vastos. Mesmo nos casos em que a informação falsa é veiculada por erro involuntário ou com o simples intuito de provocar o humor, elas despertam no receptor uma reação baseada em falsidades, e que por isso mesmo é equivocada. Muitas vezes são divulgadas intencionalmente, com o objetivo de distorcer a realidade e criar uma realidade artificial, buscando induzir o receptor a assumir um determinado ponto de vista que contradiz os fatos.[51][52][53] Nas palavras de Rafael Zanatta, pesquisador da Universidade de São Paulo, "quem as cria promove a mentira e manipula os cidadãos em torno de interesses particulares e desonestos".[54] Numa escala ampla, a proliferação de notícias falsas tende a criar no público uma grande incerteza e desconfiança sobre o conhecimento em geral, passando a duvidar indiscriminadamente de todas as fontes de informação, não sabendo mais identificar a verdade e nem onde buscá-la.[55][54][56] Campanhas deliberadas de notícias falsas são um ataque direto ao direito à informação, e podem desacreditar a grande imprensa, os professores e os produtores acadêmicos de conhecimento legítimo, como os cientistas, historiadores e sociólogos. Podem arruinar reputações sólidas e criar falsos ídolos, podem causar danos a instituições, prejudicar a democracia e a cidadania, fortalecer preconceitos, fomentar teorias de conspiração, e influenciar artificialmente processos políticos, culturais, econômicos e sociais.[52][57][58][54] As notícias falsas repetidas constantemente podem adquirir um aspecto de verdade diante do público, e seus efeitos podem ser persistentes. Estudos científicos mostram que mesmo depois de confrontadas com a verdade, muitas pessoas influenciadas por notícias falsas continuam mantendo opiniões errôneas.[59] O efeito é ampliado porque a psique humana tem a tendência de buscar a confirmação daquilo em que acredita e desqualificar aquilo que se choca contra suas convicções,[53][56] e está sujeita ao "comportamento de manada", ou seja, o deixar-se levar em massa por um influenciador poderoso, sem que as ações passem pelo crivo da crítica e da lógica. Na explicação de Fabrício Benevenuto, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, "se muitas pessoas compartilham uma ideia, outras tendem a segui-la. É semelhante à escolha de um restaurante quando você não tem informação. Você vê que um está vazio e que outro tem três casais. Escolhe qual? O que tem gente. Você escolhe porque acredita que, se outros já escolheram, deve ter algum fundamento nisso".[60] Um estudo desenvolvido por pesquisadores do MIT, analisando mais de 120 mil sequências de notícias no Twitter entre 2006 e 2017, concluiu que notícias falsas se espalham mais depressa, vão mais longe, atingem mais pessoas e tem uma probabilidade muito maior de serem redistribuídas do que as verdadeiras.[51] As notícias falsas são um componente importante no conceito de pós-verdade, que caracteriza um contexto onde os fatos objetivos têm um menor poder de moldar a opinião pública do que apelos à emoção e a crenças pessoais, e onde qualquer coisa pode se tornar "verdade", conforme os interesses dos indivíduos ou grupos que controlam a informação.[53] Na reflexão do filósofo Janine Ribeiro, "essa tendência traz um elemento triste. Não é apenas falar uma mentira. Ao dizer 'pós', é como se a verdade tivesse acabado e não importa mais. Essa é a diferença entre pós-verdade e todas as formas de manipulação das informações que tivemos antes". Para o professor da USP Eugenio Bucci, referindo-se à esfera da política, "a ideia contida aí é relativamente simples: a política teria rompido definitivamente com a verdade factual e passa a se valer de outros recursos para amalgamar os seguidores de suas correntes. É como se a política tivesse sucumbido ao discurso do tipo religioso e se conformado com isso."[61] É um exemplo do vasto impacto potencial das notícias falsas a negação da realidade do aquecimento global, levando à adoção de planos econômicos que privilegiam o uso de combustíveis fósseis, contradizendo o consenso científico que aponta esses combustíveis como a principal causa do aquecimento.[53] Também influenciaram o resultado das eleições norte-americanas de 2016[62][63] das eleições brasileiras de 2018,[64][65] e o resultado do plebiscito que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit),[66][67] apenas para citar alguns exemplos recentes de grandes repercussões.